poesia

RESÍDUOS

1 de novembro de 2016

Estava lendo esse poema poema do Drummond, _ hoje é dia de Carlos Drummond de Andrade_, me angustiei. De tudo que fica, o medo, os teus gagos, como é mesmo?

De tudo ficou um pouco

Do meu medo. Do teu asco.

Dos gritos gagos. Da rosa

ficou um pouco.

Sou obrigada a copiar e colar. Meu cérebro, minha memória, não sou capaz de recitar nada.

Da ponte bombardeada,

de duas folhas de grama,

do maço _ vazio _ de cigarros,

“ficou um pouco”.

É o que eu me lembro.

Dos pontos e vírgulas, de cada palavra, de tão feias,

de tão bonitas palavras de Drummond, nada.

Nem mesmo o título do poema, Resíduo, que eu insisto em lembrar como Resquício,

porque ficou um pouco.

Fica um pouco de teu queixo

no queixo de tua filha.

De teu áspero silêncio

um pouco ficou, um pouco

nos muros zangados,

nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou muito em mim.

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Vanessa Agricola

Autor

Vanessa Agricola Moo

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