crônica

O MUNDO DE ANITTA

6 de agosto de 2016

Dizem que é melhor não falar nada do que falar merda. Foi a cantora Anitta quem disse isso, respondendo ao porque de não dar opiniões políticas, garota muito esperta, Anitta. Mas eu vou falar merda, porque também “nós não nascemos para fazer nada a respeito das coisas”. Quem disse isso foi Papa Francisco, ele falava com os poloneses por conta da onda do neonazismo, outro conselho bom. “É estimulante ouvir os jovens a partilhar os seus sonhos, as suas questões e o seu desejo de se oporem a todos os que dizem que as coisas não podem mudar. Queridos jovens, nós não nascemos para fazer nada a respeito das coisas, nós estamos aqui para nos manifestar a respeito da vida”.

Então vamos a uma manifestação. Tudo começou no Fórum Nacional Contra a Pirataria, participei de uma campanha, juntamente com o diretor do Fórum, não vou dar o nome, e a agência Lowe, com um amigo meu redator. Primeiramente, nós não sabíamos, a pirataria é o crime que mais compensa, deixando o tráfico de drogas para trás. Até aí uma questão de briefing, de números, e fatos curiosos, eu não sabia que uma bolsa falsificada era um crime tão sério.

Mas o crime organizado que foram nos ensinando, era algo muito maior do que o dinheiro que você ganha com a venda de produtos falsificados. Era que a venda dos produtos falsificados era sócia da venda de outros produtos, como as armas, por exemplo.

É tudo uma questão de espaço. Não se desperdiça espaço em um container de navio. Precisa encher o navio. Então os produtos piratas e as armas viajam juntos, como um casal apaixonado, um crime é sócio do outro.

É difícil para qualquer um pensar o quanto o crime organizado é organizado mesmo.  Menininhas inocentes não sabem que crianças (inocentes) morrem quando compram uma bolsa falsificada Louis Vitton.

Lembram em Cidade de Deus, no final, quando a última cena é um carro da polícia traficando armas?  As armas financiam o crime das drogas.

Mas, não seria muito fácil bloquear a 25 de março ou colocar uns guardas no Porto de Santos e salvar o mundo? As crianças? Porque não legalizam??

Na minisérie Narcos, o esquema das propinas era receber ou morrer.

Deve ser um pouco assim aqui também?

Mas havia um herói. Um cara da Polícia Federaal, que tinha acabado de apreender um container importante de mercadorias falsas, e junto desse container estavam armas, eram provas. E era um cara que não aceitava propinas.

Então “ligaram” para a PF (prum outro cara que não era esse): – Diga que ele tem que devolver.  – Não consigo, já está com o cara. Sabe o que aconteceu com o outro cara? O cara pra quem ligaram e que disse que não tinha mais jeito? Entraram na casa do sujeito e mataram o cachorr,  amarraram a empregada, escreveram com o sangue do cachorro na parede da cozinha.

Menina, vamos parar por aqui.

Depois saiu na Ilustríssima um poema do Michel Temer, não consegui. “Prezada Folha, Michel Temer, ilustríssimo poeta?” O próprio editor da Ilustríssima me respondeu que o poema tinha sido publicado “por editora de renome”.

Procure a editora de renome do livro de poemas de Michel Temer.

 

 

 

 

 

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Vanessa Agricola

Autor

Vanessa Agricola Moo

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