crônica

TRAN.SE (S.M.)

26 de outubro de 2015


•    Lance difícil, momento crítico, situação angustiosa. Por aqui o lance é fácil, o momento é leve, a situação é amorosa. Mas logo mais a roda gira, e vira e mexe ele acontece. O transe. Cruz credo. Me esquece.

•    Susto ou apreensão de um mal que se julga próximo. Ninguém merece ter certeza absoluta que alguma coisa vai dar errado em algum momento. Mas é bom que a gente tem esse aviso prévio. O tal do pressentimento.

•    Crise, lance, perigo. Crise é comigo. Hoje mesmo tive uma. Peguei um taxista desgraçado, andando a 30 por hora. “Será que o senhor pode ir um pouquinho mais rápido?”. _ Lê a placa, senhora.

•    Ato ou efeito arriscado. De repente correr um risco é tudo o que a gente mais precisa. Sair do esquema. Tirar a camisa.

•    Combate, duelo. Me lembra um casal de amigos separando. Qualquer dia eu acho que eles se matam. Depois de tanto tempo juntos não conseguem se entender, não é estranho?  E um mal entendido sem tamanho.

•    Aflição, dor, angustia. Passo, passo, passo.

•    Falecimento. Teve um hoje, perto de alguém que está perto. Morrer é aquela coisa, é certo. Eu mesma morri na semana passada, numa ocasião. Desde então não sou mais a mesma. Foi bom.

•    Ânsia mortal, agonia. Não estou sentindo nada. Alegria, alegria.

•    Inquietação, medo. Você tem medo de quê? Auto-questionamento básico. Altura. Cobra. Barata. A gente não tendo medo de viver, isso é o que mata.

•    Estado de subordinação do hipnotizado ou hipnotizador. Quer dizer que os dois estão subordinados? Alguém explica, por favor.

•    Folc Estado em que ficam, nos candomblés, os cavalos-de-santo para receber a visita de um orixá.     Meu irmão jura que viu uma coisa dessas. O tal cavalo era a mãe de um amigo, tomou um litro de cachaça direto da garrafa, falou com grossa, “bebe comigo”. Não sei se eu acredito.

A todo o transe, custe o que o custar, sejam quais forem as conseqüências.

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Vanessa Agricola

Autor

Vanessa Agricola Moo

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