crônica

PORRA, DEZEMBRO

29 de novembro de 2016


Ontem, depois que o fulano entornou a panela de macarrão com água dentro da outra panela com o molho à bolonhesa, e eu disse, fulano, olha, sabe aquele coador que fica em baixo da pia? Então, é ele que coa a água. Eu dei uma acentuada no coa. Eu não sei se você percebeu, mas é muita água que ferve o macarrão, por isso não adianta você jogar só um pouquinho disso tudo de água na pia. Eu dei uma acentuada no tudo.

Chega dezembro, todo aquele bom humor que você conseguiu sustentar durante o ano, a duras penas _ e se aqui se me cabe uma pausa, eu acredito que os seres humanos se dividem em dois grupos: o grupo dos bravos, que precisam soltar um porra de vez em quando, e o grupo dos de bom humor, que nunca se irritam (ou que quando se irritam, meu deus do céu…).

Mas eu não falo mais porra quando o assunto é macarrão. Faz parte do evoluir, quando se está de mau humor, acentuar palavras como coa e tudo, deixando a frase tão irritante, mais irritante do que a atitude de estragar um almoço, e caminhar até o quarto, e respirar bem fundo, e abrir uma caixa escondida de Frontal.

Foi o doutor Marcelo quem me recomendou, – Pode tomar igual Aspirina, se você sentir que vai ter uma dor de cabeça, toma.

O efeito do Frontal é imediato, igual Aspirina. Você percebe que não está sendo uma pessoa generosa, irritada porque o ano está acabando e vem aí todas as enxaquecas, o Natal, a viagem do reveillon…

Dezembro não é para mim não.

 

0
Vanessa Agricola

Autor

Vanessa Agricola Moo

Seu e-mail não será publicado.