crônica

PARA A BICHINHA

13 de dezembro de 2016


Eu tenho um certo bloqueio em falar dela, desde pequenininha, eu não conseguia nem descrever direito ela para outra pessoa. Quando me perguntavam eu só dizia: ela é linda.

Outra coisa que digo elaborar o teu cheiro. Às vezes ela sua, na verdade, você sua o tempo todo, tem uma quentura, a bichinha, pode estar dez graus lá fora, está suada, o cabelo molhado, gosta de ficar sem meias. “Qué descalça”.

Você não anda sabia? Você dança. Outro dia uma moça da escola me disse, preocupada, que você estava mancando. Ela está dançando, expliquei pra ela. Vai pra lá, e pra cá, e volta, e balança os cachos, bem suavemente eles balançam.

Conhece aquela música, “Infiel”, da Dama e o Vagabundo? É a melhor cena do filme, altamente sexual, eu até já pensei nisso, tantas vezes, quanto desejo naquela cadela no cio… Pois é justo a cena do filme que você mais gosta, essa música que você cantarola almoçando, e a gente fica embasbacado.

Você nos faz rir muito. Ao acordar de manhã, sozinha, e caminhar até a sala, sozinha, e dar aparecer como uma festa, “oi, gente!”. Que outro bebê? Você querer fechar a fralda, sozinha, com um ano de idade…

Seu primeiro apelido: danada da piolha. Seu lema: Independência ou morte. Apesar de ter nascido longe, ela nasceu em Nova York, com esse grito tupiniquim.

Eu só quero que você saiba, e eu te peço desculpas se eu me esquecer de te contar quem você era, e todos os detalhes que dizem respeito a você, porque eu não consigo te descrever pra te contar.

Eu acho que é muita honra. Overwelming como dizem na sua terra.

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Vanessa Agricola

Autor

Vanessa Agricola Moo

Comentários (1)

  • dezembro 13, 2016 by tassinariandre

    tassinariandre

    Lindas.

    André Tassinari iPhone +55-11-94538-2938

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