crônica

PAPO RETO

5 de outubro de 2017


Quando ele apareceu estava tocando Tempo Feliz, não sei se você já ouviu, eu não podia parar de abraçá-lo. O papa Francisco chegando no Brasil, pedi para desligarem a televisão, alguém colocou uma música. Portanto quando ele nasceu estava tocando Yamandu Costa.

Adrenalina dá muito sono. Doze horas de trabalho de parto, uma contração e outra, muita dor, depois que passa o sono. Eu não esqueci a dor do parto, e me lembro dele saindo de dentro do meu corpo, ele nos meus braços, o Bem e o Mal agora tocando.

Você já ouviu o Bem e o Mal, a música do Nô, que ele tocava no violão, no barco, para todas as mulheres de Riacho Doce ao mesmo tempo. A Vera Fischer do lado do galego, querendo dar uns beijos no Nô… Eu guardo em mim o Bem e o Mal como um bicho. Eu me dei conta que eu era um bicho no puerpério. Só ali. Juro. Antes eu tinha pretensões de ser humana.

Outra música do puerpério, Harvest Moon, da trilha do Comer, Rezar e Amar: Come a little bit closer hear what I have to say…

Eu passei a fungar fraldas e achar cheiroso xixi e cocô. Nenhum resquício de civilidade. Horas olhando pra ele, ouvindo essa música de quando a Julia Roberts encontra o ex-marido e tem o momento illuminado do livro:

Liz Gilbert: I did love you.

Steven: I know, but I still love you.

– So, love me.

– But I miss you.

– So, miss me. Send me love and light every time you think of me…

Um dia eu devo mostrar essa cena desse filme pra ele. Quando ele tomar um pé na bunda e ficar triste. Por enquanto ainda estamos falamos sobre chupeta, ele fez quatro anos e não quer largar. Ou sou eu que não quero largar: – Mas meu filho, chegou a hora.

 

 

5
Vaca

Autor

Moo

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