crônica

O PAÍS, NÃO A GENTE

11 de outubro de 2017


Passei no doutor Henri para uma última consulta. Sentamos um de frente para o outro, como de costume, para finalizar o papo: e como vai você?, e como vai o senhor? O doutor Henri está muito desacreditado. Me contou que atendeu um paciente novo, “o cara é ex-senador”, um ladrão. “Ele gostava de conversa”. Aí o doutor Henri ficou perguntando coisas, como quem não quer nada, “e vem cá, qual é o pior lá em Brasília?”. Você acredita o ex-deputado-ladrão tinha uma resposta: “o Sarney.

Meus amigos do mercado financeiro, todos, dizem que vamos envelhecer pobres. “No curto prazo vai continuar melhorando, atividade econômica, crescimento do PIB e mercado de trabalho continuam a se recuperar, a inflação baixa, especialmente de alimentos, isso recompõe o poder de compra e favorece o consumo. No médio prazo, tudo isso se sustenta somente se as contas públicas forem ajustadas. O país hoje gasta 150 bilhões por ano a mais do que arrecada. E nosso maior gasto, disparado, é com aposentadorias públicas e INSS. Conclusão: a recuperação econômica depende da reforma da previdência”.

Eles entendem de finanças. “Mas acho importante ajustar as expectativas. Os ganhos são marginais e lentos, vamos envelhecer pobres. O país, não a gente”.

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Vaca

Autor

Moo

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