crônica

A IGNORANTE SEGURA

16 de janeiro de 2017


Abri o jornal hoje, cadê a posse do Trump? Enfiei na cabeça que era hoje mas vai ser dia vinte. Fechei o jornal. Só queria ter visto as notícias da posse, mas acaba que na capa de hoje estava o Trump com o dedo apontado para a cara de repórter da CNN, “eu não falo com você!”. Parei. Comecei no New York Times, porque era um tal de criticar o Obama e tudo o que ele não fazia. E o Obama Care, e os mísseis, a intransponível dificuldade do Obama conseguir apoio entre uma maioria republicana. E no Brasil, a vitória da Dilma. Eu dei um grito, “nããããão!”, olhando a cara do Michel Temer atrás da presidenta enquanto ela discursava, “brasileiros e brasileiras…”.

Senti tonturas quando morreu o candidato Eduardo Campos, que eu nem conheci mas que parecia ser uma luz no fim do túnel. Né? E acharam a caixa preta? Nada. Começou a “Babilônia”. Novela com Glória Pires e Afonsinho do Vale Tudo! Eu juro que eu não sei o que aconteceu, não sei se ninguém viu os primeiros capítulos maravilhosos, só sei que de repente o jornal me informa que a novela não engat, que vão mudar os rumos da história, a Sophie Charlotte não vai mais ser puta, a Camila Pitanga vai se apaixonar pelo loirinho, “mas o Bruno Gagliasso continua cafetão!”. Ufa Nem notícia sobre novela posso mais suportar.

Mas ontem eu ainda ria com o meu pai sobre o ministro Lula, – Pai! Já viu o jornal? – Sensacional, o cara vai ser ministro, hahaha.

Só que não foi. Ufa. Foi que rolou um golpe (não estou julgando se foi bom ou ruim), e o vice mimimi, interino, dono do PMDB e sabe mais do quê? Eu sei. Meu pai também sabia. E ele ria, hahaha!

Era um bálsamo ter meu pai para me esfriar as notícias… Pena que não deu tempo de falar com ele sobre o Trump, ele teria tanto pra me acalmar os nervos. A última vez que falei com meu pai foi no dia da votação do impeachment. Ele riu muito da aparição inesperada do Sergio Reis e gargalhou quando eu contei pra ele que vomitei.

– A hora que apareceu o Sergio Reis, pai, vomitei no tapete da sala.

Eu não me deprimia com as notícias porque meu pai gargalhava delas. E de mim. Acabei de me dar conta, meu pai morreu no dia da votação do impeachment… talvez eu tenha sonhado com ele rindo e eu contando que vomitei…. talvez eu tenhado vomitado de saudade do meu pai…

 

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Vanessa Agricola

Autor

Vanessa Agricola Moo

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