crônica

GATINHO PERDIDO

13 de setembro de 2017


Se eu falar que eu quero dar um tempo… eu não acho que ela vai ficar chateada comigo, mas eu acho que ela vai me dizer que eu não devia fazer isso porque eu “preciso”… eu já escutei isso. O doutor Paulino não me falou quando eu terminei com ele, porque o doutor Paulino não falava, ele não abria a boca, mas eu  saí daquele consultório com o rabo entre as pernas achando que eu precisava dele.

Não sei porque caralhos eu sinto falta do doutor Paulino até hoje. Acho que porque ela fala muito: – Você se colocou no lugar do gato. – Você sabia que ele ia preferir estar daquele lado, onde não tinha barulho. – Você tem muita empatia.

Eu não me irrito no caso do gato mas em outros casos eu sinto que ela fica concordando comigo à toa.

 

O dia que o Marco Aurélio ligou, Marco Aurélio viu um gato preto e branco com uma manchinha na boca, – É o Chuchu! Eu saí correndo, Marco Aurélio ficou me esperando sem tirar os olhos do gato,  outro gato preto com uma manchinha branca na boca. – Tem certeza que não é ele?? Absoluta.

A Ana Carolina também ligou: – Achei o Chuchu! Ele está aqui na Faria Lima com a Pedroso! Eu do lado dele, você quer que eu pegue?

Aprendizagens:
– Existem seres como Ana Carolina e Marco Aurélio.
– Todo gato de rua é branco e preto.

 

Não sei como esse gato do muro é cinza. Ele fica espiando o Chuchu desde que ele voltou pra casa. Hoje entrou em casa! Ouvimos uma briga de dois gatos se matando lá fora, a gente correu mas só deu tempo de ver o gato cinza enorme pular em cima do carro, e depois de volta pro muro, o Chu ficou louco. O gato continuou em cima do muro espiando o Chu.

Agora pouco eu escutei outra briga. O gato voltou de madrugada, eu abri a porta, os dois já tinham parado de brigar e foram andando em direção à garagem, fiquei na dúvida se não é uma gata.

A dona Milly, uma senhora que anda com um carrinho de feira cheio de ração e água pra alimentar gatos de rua (a rua aqui de casa e outras ruas), me ensinou como encontrar um gatinho perdido: – Você tem que procurar de madrugada. Pega uma lanterna, leva uma comidinha que ele gosta, e sai chamando por ele, ele vai te escutar.

Depois da meia noite, saí com uma lanterna e a comidinha: – Chuchu? – Chuchu?

Na mesma esquina do Marco Aurélio eu escutei um: – Miau!

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Vaca

Autor

Moo

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