crônica

DIVÃ DE CAPRICÓRNIO

17 de fevereiro de 2017


Falando em análise, como não se encher o saco do seu analista? Eu me enchi o saco da Mafalda, eu me enchi o saco do Marcos, eu me enchi o saco da Vera, e até do doutor Paulino eu já me enchi o saco. Chegou uma hora que ele não falava nada, eu ali desesperada, precisando ouvir tipo: “escuta, isso é normal, está tudo bem”. Silêncio. Até meus chifres estavam doendo e aquele homem não me emitia nenhuma opinião.

 

Eu tenho um amigo que também vai no doutor Paulino, aliás saudade desse amigo… e ele acha que o doutor Paulino fala pra caralho. Pra você ver como cada boi, cada vaca, cada análise é uma história. O doutor Paulino, o mesmo analista, analisa eu e o Luis Guilherme (ups, falei seu nome) de um jeito diferente…

 

Em comum, eu e Luis Guilherme somos capricornianos. Eu falava sobre isso com o doutor Paulino, de signos, de como me irritava que alguém me rotulasse por um signo, mas de fato eu era um animal capricorniano. Um coração aparentemente gelado, uma mente brilhante, um elogio em vão. Porque capricornianos não acreditam em elogios. A não ser os seus, que ele faz aos outros.

 

Mas enfim, lá vou eu virar para o meu analista, de novo, e: – não é você sou eu. Para o doutor Paulino eu menti que ia me mudar pro Rio…

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Vanessa Agricola

Autor

Vanessa Agricola Moo

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