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A COPA DO MEU PAI

21 de janeiro de 2017

Na copa, aquela bagunça, o banheiro de empregada cuja porta dava pra mesa. Péssima arquitetura. A gente ouvia o cocô da empregada, você ria. Tanta coisa naquela copa. Tanta briga. As paredes manchadas de mofo não davam conta. Tem que passar tinta. Deixa pra lá. A hora do almoço, a hora do lanche, seu último macarrão a bolonhesa feito para o Antônio estava perfeito. A pizza de milho verde que você riu. As manteigas passadas no braço, você sempre rindo. Insistindo se alguém queria Leite Moça no café. Não quer experimentar, filha, não quer? Eu nunca quis. Nem o ovo mexido no pão doce. Nem o açúcar no pão francês. Que gosto será que eles têm? Outro dia abri o livro que você deu pro Antônio e chorei. Antônio perguntou porque eu estava chorando, eu disse que está com saudade do vovô Carlos. Ele disse: ele morreu, ne mamãe. Eu expliquei que sim. Ele também. Agora pede pra eu ler o livro que você deu, toda vez. “Mamãe, me lê o livro do Dinossauro do vovô Carlos”. O livro mais lindo de dinossauros.

 

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Vanessa Agricola

Autor

Vanessa Agricola Moo

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