crônica

– TCHAU, BUBU!

27 de julho de 2016

Hoje um urubu morreu na praia. Quando a gente chegou ele já estava lá, mortíssimo, de barriga pra cima, parecia um frango com as perninhas dobradas, a onda vinha e trazia ele para mais perto de nós na areia. A gente estava indo pra a água quando o Antônio disse: _ olha!

Eu não sou uma pessoa muito próxima de nenhuma espécie que voa. Tenho ojeriza a pombas, creio que são as baratas do ar, e sobre os urubus eu nem tenho o que dizer: _ eca! Foi o que eu disse. E, _ eca!, repetiu no mesmo tom a Teresa.

É preciso tomar muito cuidado com as crianças, você não pode falar eca! ao ver um bicho morto, mesmo que seja um urubu, a quem Teresa logo passou a chamar de “bubu”, e o Antônio: _ tadinho do urubu.

Crianças…a gente passa o tempo todo fingindo que somos nós quem ensinamos alguma coisa a elas, temos que fazer esse papel, que você já tem a compaixão com os urubus que elas têm, que você faria alguma coisa por um urubu morto na areia da praia se elas não estivessem ali do seu lado, te olhando, esperando o que você vai fazer com aquilo.

O pai disse: _ vamos cavar um buraco.

Nosso herói pegou o urubu pelas pernas, oi?, colocou o urubu no buraco, com todo respeito, o urubu não merecia ficar indo e vindo com a onda, meus filhos não mereciam ter um pai que não fosse um herói.

Enterramos o urubu todos juntos. Em silêncio, jogamos areia por cima, colocamos um graveto para servir de homenagem, _ tchau, bubu!, Teresa despediu-se.

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Vanessa Agricola

Autor

Vanessa Agricola Moo

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