crônica

FERIADO COM FILHOS

3 de novembro de 2016

Hoje acordaram às nove. Um milagre, dado que o costume é seis e meia. Meu corpo não responde aos meus comandos às seis e meia da manhã. Ou é meu cérebro quem não envia os comandos para o meu corpo, eu não sei bem o que dá errado. Mas dá. Mas alguém tem que acordar. E brincar. Brincar? “Vamos ver um filme da Disney, vamos deitar juntos no sofá”. Com sorte, você dorme até as 7h30.

Aos feriados, qualquer feriado com filhos, você também precisa preparar o café da manhã. Ou, por que não, só aos feriados, dar uma mamadeira ao invés do queijo branco com ovos mexidos e iogurte com granola? Eles vão preferir a mamadeira. E a mamadeira irá alimentá-los até a hora do almoço, no clube, onde eles sujam tudo e não sou eu quem vai limpar.

Eu já vou ter que limpar alguma coisa, no jantar com certeza. Feriado de quarta é bom porque na quinta a Tercina chega. Mas alguém tem que fazer a mochila pra levar pro clube, fraldas, pomadas, roupas extras, chupeta, mais casaco ou toalhas de piscina? Cadê o Polaramine da Teresa?

Nunca conseguimos almoçar no clube, ou em lugar nenhum, ao meio dia. Hora do almoço é a hora do cochilo das crianças. Horário de almoçar, para quem tem crianças que dormem ao meio dia é três da tarde. O buffet das três da tarde é aquela coisa devassada, a comida ali à espera dos desesperados do clube. “Todo mundo com fome? Senta, senta”. Teresa não come nada. “Quer macarrão à bolonhesa?” Não quer nada. “E um pão?” Pão sim. “Salada de frutas?” Só comem as mangas. Micropedaços de mangas.

“Vamos dar um suco de laranja pra encher a barriga?” “Mas e a dentista?” “É laranja!” Enchem a barriga de suco de laranja e querem sair da mesa. “Filho, eu nem comi minha salada”. “Tá bom, eu levo vocês no play mas depois eu volto”. “Olha só, cuidado com o escorregador amarelo”. “E com os balanços!” “Porque eles podem bater nas suas cabeças enquanto vocês passam”. 

Do play eles me persuadiram a deixá-los na brinquedoteca, então tá, novas instruções sobre a piscina de bolinhas, “cuidados com as crianças grandes pulando em cima de vocês”, já são vinte minutos longe do buffet devassado, a fome roendo. O pai chegou:

_ Vai lá terminar de comer, deixa que eu fico aqui. 

_ Eu já estava indo, só estava só explicando que…

Teresa some na piscina de bolinhas. Resgatei-a, antes de perder o ar.

Não podemos deixar eles sozinhos. Nunca.

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Vanessa Agricola

Autor

Vanessa Agricola Moo

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